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Recomendamos a quem procura tratamento grupanalítico que se dirija a um grupanalista credenciado pela Sociedade Portuguesa de Grupanálise. Para este efeito poderá consultar a lista de grupanalistas portugueses existente neste web site.

A Grupanálise e as psicoterapias analíticas de grupo estão indicadas num vasto leque de patologias, desde dificuldades no relacionamento interpessoal, a problemas como depressão, ansiedade, doenças psicossomáticas, disfunções comportamentais  e mesmo alguns síndromes psicóticos. 

A motivação é um dos factores principais para o sucesso do tratamento.
Este tratamento consta de sessões de grupo de, aproximadamente, 1h20, com a periodicidade de duas a três vezes por semana. O grupo é constituido pelo grupanalista e o máximo de oito grupanalisandos. A sessão decorre num contexto de expressão livre, “flutuante“. O grupanalista estimula a comunicação verbal, o mais espontânea possível entre  elementos do grupo e exerce uma actividade interpretativa.

De um modo simples, diremos que o grupanalista dá nome / significado às emoções e sentimentos que estão a ser vividos por cada um dos elementos, relaciona o que se está a passar no “aqui e agora”, com a história passada de cada um. Dá espaço para que possam ser vividas novas e construtivas relações inter-pessoais com os outros membros do grupo e com o próprio analista, dando a possibilidade de cada um poder vir a estabelecer novas relações adaptativas e construtivas ao longo da sua vida.

Na medida em que a Grupanálise se desenvolve em grupo, o grupo familiar, bem como todos os grupos em que se passa ao longo da vida (escolar, social, cultural, recreativo, religioso, desportivo, profissional, etc), pode ser recriado, estimulando o aparecimento de memórias. Estas memórias, podem estar mais presentes ou mais escondidas nos nossos subterrâneos internos, mas a vivência do grupo facilita a sua exposição e permite assim um trabalho profundo.

A estas características do tratamento, acresce o facto de que em grupanálise vê-mos e somos vistos. O grupanalista e os grupanalisandos estão face a face, sentados, formando um círculo. Para além de possibilitar que a linguagem verbal e não verbal sejam facilmente apreendidas, este tipo de setting, mimetiza com mais fidelidade a relação precoce com a mãe (que se sabe hoje em dia ser fundamental para o desenvolvimento da personalidade) em que o olhar é essencial,  bem como o tipo de relação que habitualmente estabelecemos com as  outras pessoas  nas nossas vidas. 

Sabe-se hoje em dia que o efeito terapêutico dos processos analíticos está relacionado com a possibilidade de tornar consciente aquilo que era inconsciente, mas também e, principalmente, a oportunidade de viver uma relação implícita mais saudável com o analista. Pelo que foi dito atrás, a grupanálise proporciona de um modo especial, este desiderato, uma vez que sugere o nosso cenário primordial  -  a família.

Hoje em dia, sabe-se, e é bom não esquecer, que  as nossas   emoções e sentimentos têm um componente sensorial, perceptivo, fundamental; que é obviamente contemplado na grupanálise. São estas emoções e sentimentos que estão gravados na nossa memória (explícita e implícita) e relegados para os estratos mais profundos da nossa vida mental. A grupanálise permite assim, uma “visita” mais integral ao mundo interno de cada um, permitindo uma reconstrução que facilitará uma vida mais adaptada aos diversos contextos grupais em que nos movemos. 

A grupanálise, bem como outras psicoterapias de grupo de orientação analítica, pode ser associada, em determinados casos, a um seguimento psicofarmacológico (medicação). Estudos recentes evidenciam, que em determinados casos, os psicofármacos, abrem uma “janela” terapêutica. Ou seja, a associação entre estes dois tratamentos é mais do que a soma das partes. 

A grupanálise exige um determinado numero de regras importantes para que possa ter um efeito terapêutico:
  • Os elementos do grupo não se devem conhecer previamente.
  • Os elementos do grupo não se devem encontrar entre si nem com o grupanalista, fora das sessões.
  • O grupanalista, não pode tratar, nem estabelecer contacto com familiares ou amigos dos seus grupanalisandos.
  • As sessões decorrem num horário fixo e pré-estabelecido.
  • As sessões decorrem numa sala de grupanálise, em que nove cadeiras estão dispostas num círculo, habitualmente com uma pequena mesa no centro.
  • A confidencialidade deve ser mantida pelo grupanalista e por todos os grupanalisandos.
  • As sessões não podem ser interrompidas pela realidade externa (telefonemas, saídas para fora da sala por parte do grupanalista ou dos grupanalisandos), assegurando-se assim um ambiente tranquilo .
  • Não existe contacto físico entre as pessoas.
  • O grupanalista deve avisar com antecedência o seu período de férias, bem como os dias em que por qualquer motivo, não possa fazer sessão.
  • Os grupanalisandos deverão pagar todas as sessões, incluindo aquelas que faltam.
  • Não existem sessões individuais com nenhum dos grupanalisandos, após a sua entrada no grupo.
  • Caso o grupanalista seja médico não deverá ser grupanalista e medicar simultaneamente o mesmo cliente.

 A duração de uma grupanálise é variavel de acordo com a patologia do cliente, a sua motivação, a sua capacidade de mudança interna, bem como o fim a que se destina (caso de grupanálise com fins didácticos).

De qualquer modo, a Grupanálise é um processo longo, uma vez que, o que está em causa não é apenas o desaparecimento de sintomas, mas sim uma mudança mais profunda, que abrange a capacidade de lidar melhor com os conflitos internos e externos e a capacidade de estabelecer relações mais saudáveis com as outras pessoas.

Como outros tratamentos, pode ser considerado na declaração anual de rendimentos para abatimento, mediante a apresentação de recibos.