| Grupanálise como Processo Psicoterapêutico |
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Trata-se de um processo psicoterapêutico altamente especializado e diferenciado, indicado para múltiplos distúrbios emocionais. Este tratamento pressupõe que um grupo heterogéneo de pessoas, geralmente oito, se encontra regularmente , duas ou três vezes por semana. Os elementos do grupo não se devem conhecer previamente, e é interdita a sua relação no exterior do grupo. O grupanalista deve proporcionar a oportunidade de os membros do grupo associarem livremente, ideias e sentimentos, estimulando a sua verbalização . Deste modo os analisandos vão podendo estabelecer pontes entre os processos inconscientes e conscientes. O grupo representa para cada elemento o microcosmos do seu mundo interno, através do qual, modos alternativos de lidar com os conflitos e desejos podem ser explorados e modificados, através do estabelecimento de novas relações interpessoais. O grupo permite assim o tratamento de cada indivíduo num contexto privilegiado – o grupo – onde se encenam, transferencialmente (neurose de transferência), os conflitos precoces individuais. Deste modo, a actividade interpretativa, tanto privilegia o funcionamento mental de cada indivíduo como o funcionamento geral do grupo (os fenómenos que surgem apenas em grupo). A valorização da participação e contribuição de cada elemento, assume características muito próprias. Por outro lado, todos os elementos interagem verbalmente, de forma activa, entre eles e com o grupanalista, podendo cada um exercer a sua actividade interpretativa. Em suma, a grupanálise constitui-se como análise de grupo, com o grupo e em grupo, mas não do grupo. O corpo teórico da grupanálise é oriundo da teoria psicanalítica. De facto, inúmeros psicanalistas pertencentes a diferentes correntes e gerações têm contribuído decisivamente para a compreensão e utilização desta técnica em grupo (Freud, Foulkes Bion, Anzieu, Kaës, Zimmermann, Cortesão, etc.). No entanto, existem aspectos teóricos e técnicos específicos da grupanálise. A grupanálise decorre num contexto de clínica privada, conduzida por grupanalista credenciado pela SPG (consultar adiante: Grupanalistas Portugueses). Institucionalmente existem adaptações psicoterapêuticas. A Escola Portuguesa de Grupanálise – especificidades teóricas e técnicas A escola Portuguesa de Grupanálise desenvolveu-se a partir do trabalho de Eduardo Luis Cortesão, e tem especificidades diferentes das outras escolas europeias e americanas (EUA, Brasil, América Hispânica) de grupanálise e psicoterapias de grupo de orientação analítica. Assim foram desenvolvidos, por Cortesão, os conceitos de matriz, padrão, transferência e contra-transferência em grupanálise e níveis de interpretação. A matriz é a rede específica de comunicação, relação e elaboração, a qual pela integração do padrão analítico, fomenta a evolução do processo grupanalítico. O padrão consiste na natureza de atitudes específicas que o grupanalista transmite e sustém na matriz grupanalítica, com uma função interpretativa, que fomenta e desenvolve o processo grupanalítico. A transferência é a repetição e reformulação das necessidades, angústias e conflitos infantis que surgem no cenário grupanalítico. Em grupanálise podem-se considerar diversos níveis de experiência e de interpretação
A interpretação em grupanálise é a maior parte das vezes orientada para cada um dos elementos, no contexto do grupo. A transferência estabelece-se de um modo gradual e necessita de tempo para surgir. Pode adquirir características deslocadas (transferências laterais). Podem existir movimentos transferenciais para o grupo como um todo, para outros elementos do grupo ou para o grupanalista.
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