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A História da Grupanálise até aos nossos dias por Dr. César Vieira Dinis Contribuição do Professor Eduardo Luis Cortesão para a Grupanálise Portuguesa Em 1954, como bolseiro do British Council, Eduardo Luis Cortesão faz a sua formação no Maudsley Hospital. Em Setembro de 1955, após concurso, é empossado como Psiquiatra dos Royal Bethleem and Maudsley Hospitals. Em 1956 é admitido como Full Member da Group-Analytic Society de Londres. Logo em 1956 inicia o Movimento Grupanalítico em Portugal. Este movimento conduziu à criação do Grupo de Estudos da Grupanálise, em 1958, da Secção de Grupanálise da Sociedade Portuguesa de Neurologia e Psiquiatria, em 1963 e finalmente da Sociedade Portuguesa de Grupanálise, em 1981. Eduardo Luis Cortesão contribuiu decisivamente para que a Grupanálise em Portugal adquirisse uma nítida singularidade teórico-técnica e para que o modelo grupanalítico se expandisse, além dos limites originais de método de tratamento psicológico numa situação de grupo, atingindo diferentes áreas da actividade humana, que enriqueceu com o novo enfoque, dilatando-lhes a capacidade operacional. “O processo grupanalítico, tal como o tenho vindo a definir… inclui compreensivamente toda a teoria psicanalítica - e pressupõe deste modo, o manejo técnico e clínico, desde as formulações metapsicológicas até às minúcias das relações de objecto, numa situação específica de grupo. Situação diferente, ainda que não contraditória da situação dual da psicanálise.” (Cortesão) Nunca se resignando ao aleatório de uma brilhante intuição terapêutica e de um raro senso clínico, Cortesão sempre despendeu labor intenso para dotar a Grupanálise com a credibilidade científica de um substrato teórico coerente e sólido, submetendo as hipóteses oriundas das observações no laboratório clínico, oferecido pelo grupo de análise, ao critério da validação pragmática conferido pelos resultados terapêuticos. Assim erigiu conceitos e definiu procedimentos técnicos fundamentais que enformam o que comummente se designa, no campo grupanalítico, por “Escola portuguesa”. Destes conceitos destacam-se:
A Neurose de Transferência existe na Grupanálise e procura-se a sua eventual resolução. “O conceito de Neurose de Transferência em Grupanálise – porquanto originado num enquadramento diferente - existe, é significativo e natural nesta nova situação….. É diferente na forma e na estrutura, mas pouco diverge no conteúdo e na função. É diferente mas não é contraditório.” “…os membros do grupo representam, um para cada outro e no todo da situação, um papel fundamental como figuras de transferência…” “…a intensidade, constância, preponderância e repetição compulsiva de formas de actuar, pensar e sentir tornam-se até mais relevantes e significativas nesta situação de transferência…”(Cortesão) É importante salientar que o grupo interno de cada um é conotado na sua origem com o grupo familiar.(M. Rita M. Leal) Cortesão defendia a importância da frequência das sessões e da duração da Grupanálise, no estabelecimento da neurose de transferência. A neurose de transferência é de cada membro no contexto do grupo, ou melhor, da matriz do grupo. Existem pois n neuroses de transferência, tantas quanto os membros do grupo. Como disse Cortesão a propósito da neurose de transferência em Grupanálise: “… o grupo é uma estrutura, um molde, uma matriz, um forum… . Não é uma entidade psíquica nem um aparelho mental. …É por isso que uma vez mais devo insistir que algumas expressões correntes, como transferência grupal, resistência de grupo, etc. devem servir unicamente o propósito de indicar a situação em que são tecnicamente aplicadas..». O impacto dos métodos de grupo, a partir de 1956 teve origem no ensino que Eduardo Luís Cortesão ministrou no Hospital Miguel Bombarda e na Clínica Psiquiátrica Universitária do Hospital de Santa Maria. As estruturas e o funcionamento nos Hospitais e Serviços Psiquiátricos foram profundamente alterados:
Em 1988 alcançou estabelecer um protocolo de cooperação entre a Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa e o Ministério da Justiça que supervisionou. Foi este protocolo o motor que levou à criação do Departamento de Saúde Mental da Direcção Geral dos Serviços Prisionais e da Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental da Direcção Regional dos Serviços Prisionais em Caxias.
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