MultifamiliaresA “Psicanálise Multifamiliar“ teve origem no início dos anos sessenta (séc. XX) em Buenos Aires, Argentina, através do psiquiatra, psicanalista e terapeuta familiar, Jorge Garcia Badaracco, tendo surgido como alternativa ao tratamento tradicional institucional de pacientes difíceis.

Na altura o setting era o de um large group institucional – com cerca de 100 elementos: pacientes, famílias e staff – caracterizado por um enquadramento psicodinâmico, baseado em alguns conceitos psicanalíticos, a par de outros oriundos da teoria sistémica e das teorias da vinculação, aplicado ao tratamento de pacientes psicóticos e suas famílias.

A grande diferença em relação a experiências grupais anteriores, era poder trabalhar a articulação entre as várias famílias, fazendo ressaltar as diferenças, semelhanças e contradições entre elas, o que contribuía para criar novas organizações individuais e familiares.

Desde então, a Psicanálise Multifamiliar tem sido considerada por vários autores europeus e americanos, como um novo conceito de tratamento da doença mental, sendo aplicada a várias patologias e em vários settings: institucionais, em ambulatório ou internamento (total ou parcial) bem como no contexto educacional.
Uma das grandes mais-valias destes grupos, é a possibilidade de visualizar e integrar numa única abordagem, as várias dimensões da mente – individual, familiar e social.Multifamiliares2

A presença no Grupo Multifamiliar, dos elementos envolvidos nas tramas relacionais, permite a observação direta da patologia familiar, o seu diagnóstico, e desde logo a intervenção psicoterapêutica.

Os Grupos Multifamiliares desenvolvem-se no sentido de uma comunicação hipercomplexa, abrindo novas oportunidades de identificação e a possibilidade de transformação das “interdependências patológicas e patogénicas” (Badaracco, J.G., 2000).

Promovem igualmente a autonomia do paciente identificado face à família, desmantelando os padrões de relação e comunicação patológicos, característicos da disfuncionalidade familiar.

Em Abril de 2001, no Hospital de Dia de Psiquiatria do Hospital de Santa Maria, Isaura Manso Neto e a sua equipa implementaram o primeiro Grupo Multifamiliar em Portugal (Neto & Centeno,
2003) que se mantém sem interrupções desde essa altura. Este Grupo Multifamiliar é uma aplicação dos conceitos e técnica grupanalíticos à Psicanálise Multifamiliar (Badaracco 2000), preservando ambos – a Psicanálise Multifamiliar e a Grupanálise Multifamiliar – com os mesmos objetivos/metas e sendo equivalentes no que respeita aos seus conceitos (Isaura Manso Neto e Maria João Centeno).

Também no Centro de Dia do Centro das Taipas são atualmente realizados Grupos Multifamiliares quinzenalmente para os utentes do Centro de Dia e seus familiares (Clara Farinha e Celeste Silva).