A Grupanálise, como forma de tratamento, auto-conhecimento e promoção do bem-estar de cada indivíduo através do grupo, tem sido aplicada em instituições e organizações em Portugal. É importante que técnicos competentes com formação grupanalítica possam trabalhar nas várias aplicações da Grupanálise. Grupanalistas ou Psicoterapeutas Analíticos de Grupo estão treinados e vocacionados para a condução de grupos em hospitais, escolas, empresas, exército, prisões, comunidades terapêuticas, associações, etc. A sua ação pode ter ainda um papel na melhoria do funcionamento das equipas multidisciplinares. Potencialmente todas as áreas podem sair beneficiadas.

HOSPITAIS

HospitalNas instituições hospitalares, nos centros de saúde podem ser realizados grupos psicoterapêuticos de base analítica, em enfermaria, hospital de dia ou ambulatório, permitindo o atendimento de um maior números de doentes com economia de técnicos. Em 1956 E.L.Cortesão iniciou a psicoterapia grupanalítica para pacientes psicóticos, no Hospital Miguel Bombarda. Atualmente existem grupanalistas e psicoterapeutas analíticos de grupo a aplicar a psicoterapia de base grupanalítica em várias instituições de saúde do país. Alguns exemplos são:

• Hospital de Santa Maria – Hospital de Dia no Serviço de Psiquiatria (Maria João Centeno); Grupo de Coaching (Ana Teixeira); Hospital de Dia de Transição (Carlos Gois); Consulta Externa (Maria João Centeno)
• Hospital Egas Moniz – Hospital de Dia e Unidade de Saúde Mental de Oeiras (Isabel Fialho)
• Hospital Fernando da Fonseca – Hospital de Dia (João Carlos Melo)
• Centro das Taipas (Clara Farinha, Rosa Castro André)
• Hospital das Caldas da Rainha – Equipas comunitárias do Serviço de Psiquiatria (Celeste Narciso, Susana Esteves)
• Maternidade Bissaya Barreto em Coimbra (Cristina Vieira)
• Hospital Garcia da Horta (Joana Carvalho)

criançasGRUPOS DE CRIANÇAS EM MEIO HOSPITALAR 

Grupo de orientação grupanalítica realizado na Unidade de Intervenção Precoce da Maternidade Bissaya Barreto:

A criação da psicoterapia de grupo de orientação grupanalítica com crianças, na Unidade de Intervenção Precoce da Maternidade Bissaya Barreto, visa oferecer apoio psicológico a crianças, com idades compreendidas entre os 6 e os 12 anos, filhas de grávidas de risco psicossocial. Vivem conflitos familiares agudos gravemente deteriorantes para o seu desenvolvimento e apresentam problemáticas reveladoras de sofrimento como alteração do comportamento e dificuldades escolares. Pretende-se, através da ludoterapia de grupo de orientação grupanalítica, criar um espaço facilitador da projeção de experiências sofridas em casa e na escola difíceis de integrar pelas crianças. Através da promoção do intercâmbio espontâneo, mútuo, ressonante, livre flutuante, realça-se a intercomunicação e encontram-se ocasiões para sublinhar, reforçar, ou aprofundar a identidade de quem comunica (Cristina Vieira).

ESCOLAS

EscolaA Grupanálise tem sido também aplicada na abordagem e tratamento de famílias, na intervenção em escolas ou ao ensino em geral com grandes vantagens em termos do enriquecimento do processo de aprendizagem dada a potenciação rápida do confronto de várias perspectivas, propiciando novos enfoques, gerando uma aprendizagem mediada pela estimulação da liberdade de expressão e partilha de dúvidas e reflexões. Exemplos de grupos de orientação analítica em contexto escolar ou ligados às famílias são os grupos de crianças, adolescentes e de pais realizados na Escola Alemã de Lisboa e a Escola de Pais para todos os pais interessados (Patrícia Poppe).

EMPRESAS

Coaching

Coaching grupanalítico consiste na aplicação dos conceitos grupanalíticos ao coaching em instituições e organizações, como forma de diagnosticar conflitos e problemas, de melhorar o funcionamento das equipas e das instituições globalmente. São utilizadas metodologias como o World Café, que permite trabalhar com o grande grupo que é uma empresa, possibilitando níveis de criatividade extraordinários mas sempre orientados para uma problemática objectiva. O Coaching de inspiração grupanalítica foi lançado em Portugal em 2008, sendo desde então aplicado em empresas e instituições (Ana Teixeira).

PRISÕES

prisõesA Psicoterapia de Grupo de base grupanalítica em contexto prisional e/ou dirigida à população reclusa tem sido prática corrente em Portugal desde meados dos anos 80, tendo como figuras centrais o Prof. Eduardo Luís Cortesão e o Prof. Henrique Rodrigues da Silva (Gomes, A. 1993) bem como uma extensa equipa de técnicos (médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e juristas) que prosseguiram as suas abordagens e visão sobre a intervenção em estabelecimentos prisionais. Recentemente foi realizado um grupo de psicoterapia destinado a utentes com injunções de suspensão de execução da pena de prisão (Celeste Narciso, Mafalda Silva). Atualmente há um projeto em desenvolvimento para o Estabelecimento Prisional de Tires (Ana Bivar, Margarida França, Patrícia Poppe).

UNIVERSIDADES

Grupos de discussãoA aplicação do pensamento grupanalítico ao ensino superior veio quebrando as fronteiras rígidas entre a educação e a psicoterapia, combinando teoria com uma componente experiencial, tendo em vista o aumento da consciência de si e dos outros.

Em 2011, no mestrado em Psicologia Clínica do ISPA-Lisboa, abriram duas unidades curriculares opcionais: Teorias Psicanalíticas de Grupo e Modelos Psicanalíticos de Avaliação e Intervenção em Grupo (José de Abreu-Afonso). Estas unidades curriculares funcionam no modelo do Grupo de Discussão a par de um Grupo Experiencial (Graça Galamba e José de Abreu-Afonso). Desde essa data tem-se vindo a investigar o potencial deste modelo de ensino/aprendizagem.

Procura-se que a aprendizagem em geral e a aprendizagem sobre o próprio ocorram numa atmosfera de suporte. Na discussão pretende-se, num espírito de comunicação mais horizontal, responsabilizar o estudante pelo seu processo de aprendizagem e pelo seu papel no funcionamento grupal. Por outro lado, a dinâmica experiencial permite um contacto vivido com conceitos que anteriormente tinham sido compreendidos apenas intelectualmente.