Um olhar sobre psicoterapia de grupo em “A Cura de Schopenhauer” de Yalom (por Rita Lobo)

21 Jan, 2016
Um olhar sobre psicoterapia de grupo em “A Cura de Schopenhauer” de Yalom (por Rita Lobo)

920x920Irvin D. Yalom (Washington, DC, Estados Unidos, 13 de Junho de 1931) é um psiquiatra e escritor americano. Tornou-se conhecido quando sua obra “Love’s Executioner and Others Tales of Psychotherapy”, publicada em 1989, alcançou a lista de livros mais vendidos nos Estados Unidos. O Seu primeiro romance foi “Quando Nietzsche Chorou” (1992). Yalom é também psicoterapeuta individual e de grupo.

Em “A Cura de Schopenhauer” Yalom desenvolve a história de Julius, um psicoterapeuta defensor da terapia de grupo. Julius descobre, no início da história, que tem um melanoma grave, restando-lhe apenas alguns meses de vida. Perante a consciência do seu final e a angústia que isso lhe suscita decide que a melhor maneira de terminar a sua vida é continuar a trabalhar com os seus pacientes. Há no entanto um pensamento que não lhe sai da cabeça: Será que foi verdadeiramente útil aos seus pacientes? Teria mesmo contribuído para ajudar a melhorar as suas dores e sofrimentos? Fizera mesmo a diferença? E os seus fracassos? Julius revê então os seus arquivos antigos e recorda o seu maior fracasso: Philip, que 25 anos antes tinha terminado o seu tratamento de modo repentino.

Julius enceta uma busca por Philip e quando o encontra percebe que atualmente Philip é filósofo. Philip diz a Julius ter encontrado em Schopenhauer o maior dos pensadores e a sua verdadeira cura. Julius, no entanto, acaba por se sentir culpado pois vê que essa cura deixou Philip só e sem vontade de se envolver com ninguém. Consegue então que Philip participe numa terapia de grupo com pessoas com muito diferentes. Ao longo do processo os membros do grupo vão-se deparando com divergências, que aos poucos dão lugar à capacidade de partilha de emoções e vivências de raiva, culpa, medo, assim como de alegria, empatia e respeito. O grupo terá também um papel muito importante na elaboração do sofrimento e consciência da finitude de Julius, devido à sua doença terminal.

Yalom consegue também cruzar neste romance a descrição das vidas das personagens que partilham a terapia de grupo com a biografia de Arthur Schopenhauer, evocando questões humanas fundamentais.

Notemos que este livro transmite uma dinâmica romanceada da terapia de grupo, que difere de uma Grupanálise, uma vez a esta última tem uma teoria e técnica próprias que divergem em vários aspetos da terapia de grupo que Yalom descreve nesta obra. No entanto não podemos deixar de assinalar que, apesar das diferenças entre uma Grupanálise e a psicoterapia de grupo apresentada na obra, Yalom é capaz de transmitir ao leitor que a psicoterapia em grupo pode ser um recurso muito rico e interessante para elaborar o sofrimento psíquico.

Rita Lobo

Para mais informações:

http://yalom.com/